terça-feira, 2 de agosto de 2016

Dr. Plinio Guarany

Em Grandes Vultos de Cruzeiro....


Dançando com sua neta Bruna, quando da sua formatura em Jornalismo

                                        
                 Dr Plínio de Oliveira Guarany


                                          Interessante é a gente perceber que a Cidade mineira de Soledade de Minas, é um celeiro de grandes escritores. Foi assim com Geraldo Prado Galhano, Da. Albertina, e, sabe lá quantos mais ainda vou descobrir, neste meu trabalho artesanal de passar Kaol (lembram de Kaol, era um liquido que usávamos quando meninos, para realçar o brilho das pratarias caseiras) e refazer o brilho destes grandes escritores, mineiros de naturalidade, mas cruzeirenses de coração e de brio. 
                                    
                                       Dr. Plinio de Oliveira Guarany entra nesta minha galeria de
 “Grandes Vultos de Cruzeiro”, embora sendo filho da cidade mineira a qual me referi acima, mas, pelo seu trabalho dedicado à formação e até mesmo da estruturação da cidade de Cruzeiro.Quis O Deus, Todo Poderoso, que ele nascesse neste berço literário mineiro, em 29 de setembro de 1936. Razão para isso, só mesmo Ele (Deus) para responder.                                    
                                     Em 1939, seus pais mudaram para Cruzeiro, porque a Cidade Menina estava num crescente desenvolvimento, e onde, seu pai veio transferido, para trabalhar como Chefe de Estação  na Rede Mineira de  Viação.
                           
                             Filho de Sebastião 
Moreira Maia e Laís Stockler Junqueira, aqui em cruzeiro cursou o primário no Grupo Arnolpho de Azevedo e no Externato São Paulo. O ginásio foi feito no Colégio Oswaldo Cruz. E não esmorecendo aí, coisa que era muito comum entre os jovens da época - parar os estudos neste estágio, arrumar um emprego e formar uma família – o nosso querido amante das letras, que desde pequeno (ainda no tempo do Arnolpho, já rabiscava suas primeiras poesias), foi para Guaratinguetá iniciar o curso médio “Cientifico”. Mas também, como a sua meta era de se formar em Odontologia, preferiu terminar este curso no Colégio Fernão Dias, em São Paulo, como forma de ir se adaptando com a cidade grande.  
                                      
                                    Desta maneira, em plena juventude com seus 18 para 19 anos, tentava sua missão de viver sozinho em um lugar estranho. Era uma aventura arrojada, estudar em São Paulo e deixar a família em Cruzeiro. Poucas vezes, veio a Cruzeiro visitar os amigos e a própria família, isso porque a distância era muito grande, os ônibus não eram diários e a estrada embora asfaltada ainda não proporcionava uma viajem confortável e rápida. Basicamente, vinha somente em períodos de férias escolares. 

                                     Incansável estudante, nas horas vagas tinha o hobby da leitura. Fato que ele mesmo diz com muito orgulho que até hoje ele já leu 1736 livros, isso chega quase a ser um recorde, sabendo que os brasileiros não são um povo chegado a leituras de livros. Essa experiência com as letras o fez dono de uma singular cultura – dono de um vernáculo simples e altamente correto. Este hábito também o levou a gostar de Oratória. Foi o orador na formatura do ginásio e na formatura de Odontologia, ocasião esta, quando fez um belo discurso no Teatro Municipal de São Paulo. E quando perguntado, responde com muita  humildade que não se considera um escritor, apenas gosta de escrever, coisa que faz  desde os seus dez anos de idade.                                     
                                     Diplomando-se em Odontologia pela Universidade de São Paulo, voltou para Cruzeiro. Onde reside até hoje trabalhando nesta nobre profissão, casou-se com Da. Marlene Casa Nova Guarany. Com sua consorte, tiveram  três filhas: Flávia, Kátia e Cláudia., que por sua vez, proporcionou ao casal patriarca a felicidade de seis netinhos. Sendo três meninos Tiago, Fabio e Gustavo e três lindas garotas Natália, Letícia e Bruna.
                                       Tornou-se sócio ativo da APCD e por esse trabalho realizado junto a este órgão, recebeu a Medalha de Tiradentes - maior honraria oferecida pela classe odontológica. E sua luta não para por ai. Exercendo a sua profissão com honradez e muita dedicação, foi também agraciado com a Comenda "Dr. Jairo Correia", do Instituto Werneck, de Cruzeiro.                                      
                                         Seu dinamismo não o deixou quieto, e junto com amigos, em 1978, foi  co-fundador  do Lions Clube da Cidade, uma entidade de cunho social, filantrópica e cultural. Se não bastasse isso, foi co-fundador do Senzala – Clube de Campo e Social, da cidade de Lavrinhas, vindo a ser presidente deste mesmo clube.
                                     
                                           Dado a sua vasta experiência e convívio na Sociedade Cruzeirense e, por ser considerado fidelíssimo cônjuge, foi juntamente com sua esposa Da. Marlene, co-fundadores e palestrantes do Curso Preparatório de Noivos.
                                   
                                    E, mais uma vez, agora já com os cabelos embranquecidos pelo o orvalho do tempo, mas paradoxalmente, rejuvenescido pelo seu grande espírito de bandeirante, não se declinou quando convidado para ser co-fundador também da ACADEMIA  CRUZEIRENSE DE LETRAS E ARTES. Ajuda esta que será muito bem vinda, pois sua experiência e cultura são notórias, e iremos precisar muito delas. 
Aqui abro um parêntese para dizer, que talvez, eu não venha ser um acadêmico. Ainda não tomei esta decisão. Mas, nada irá tornar translucida a minha dedicação para ajudá-lo, junto com os demais fundadores, a formá-la. Muito pelo contrario, a honra de vê-lo com seu nome engrandecer a Academia, é muito grande para mim, tanto que se for preciso  carregarei “o Piano”, para que o senhor possa compor suas canções (se me permite assim chamar as suas poesias), com muitíssimo orgulho e boa vontade.                         
                              Plínio de Oliveira Guarany é um autor que, apesar da extensa produção literária, o que o faz um ser especial, sempre demonstrou e demonstra um carinho especial para suas raízes familiares e culturais. 
Neto de Antonio Diaulas de Oliveira Junqueira, um cristinense que constituiu sua família em Soledade de Minas, seus escritos são diretos e atuais. Lidas as primeiras frases, já conquista a atenção do leitor, que cativa até o final do texto. A Folha Nova orgulha-se em publicar os textos desse autor intenso e sagaz.
                                  A 
Academia Cruzeirense de Letras e Artes, se torna aos olhos da população cruzeirense, uma estrela de quinta grandeza, somente pelo o fato de tê-lo como menbro e Poeta Menor, como o senhor mesmo assina suas obras. 



quinta-feira, 28 de julho de 2016

Vasco de Castro Lima


Em Grandes Vultos  de Cruzeiro... 



Este arquivo simboliza a tristeza de sua ausencia.




     Vasco de Castro Lima







Nasceu a 22 de dezembro de 1905, em Lavrinhas, mas mudou-se para a cidade de Cruzeiro, ainda pequeno. Casado com Maria Alves Lopes de Castro Lima, instrumentadora, tem um filho que se chama Juarez. Antônio de Castro Lima e exerce a profissão de advogado.

Concluiu seus estudos primários no Grupo Escolar de Cruzeiro e bacharelou-se em Ciências e Letras, no Ginásio São Joaquim, de Lorena.

Ainda em Cruzeiro, ocupou o cargo de Secretário da Rede Sul Mineira de Viação, depois Estrada de ferro Sul de Minas. Em sua longa e frutuosa caminhada com essa Estrada de Ferro, ocupou vários cargos de assessoria e de chefia.

Autor da volumosa obra “A ESTRADA DE FERRO SUL DE MINAS”, trabalho histórico-descritivo, que escreveu em 1934., e dos seguintes livros de poesias: “Lágrimas da Alvorada”(1926); “Cascata de Ilusões”(1938); “Inquietude”(1940); “Vergel do Paraíba” (1962); “Trovas da Minha Ternura” (1965); “A Estrada do Sonho” (1979) e a única obra no Brasil, ou até mesmo do mundo, que trata da história secular do soneto: “O Maravilhoso Mundo do Soneto” (1987).

Pertence a Academia Brasileira de Letras, do Rio de Janeiro; Academia Brasileira de Jornalismo; Academia Valenciana de Letras; Academia de Letras do Vale do Paraíba e à Casa do Poeta, de São Paulo.

Reside atualmente no Rio de janeiro (Mas, na época em que eu escrevi este texto, tentei falar com ele. E liguei para o hospital onde estava internado, no Rio de Janeiro. A enfermeira que me atendeu, disse que ele estava incomunicável. Eu infelizmente tenho o pressentimento de que ele veio a falecer nos dias que se seguiram. Nunca mais tive noticias).




A Estrada do Sonho
                          
Cada dia em que o sol se abre risonho,
E desfralda o seu leque de esplendores,
Eu saio pela Estrada Azul do Sonho,
Pisando espinhos e plantando flores.

E vou contente. Nos meus passos ponho,
A luminosidade dos alvores.
Sigo a estrada, e é sorrindo que a transponho,
Eu, o mais sonhador dos sonhadores.

Sim, quero ter, na noite da velhice,
O mesmo coração da meninice,
Um ninho de alvoradas luminosas!

Para ser, no jardim dos desenganos,
Uma alegre roseira de cem anos,                    Ardendo em sonhos, florescendo em rosas


Este é um de seus  inúmeros poemas 




terça-feira, 12 de julho de 2016

Dr. Isaac Cerquinho

Em Grandes Vultos de Cruzeiro,






Dr. Isaac Alfredo Vaz Cerquinho
(Infelizmente não tenho a foto dele)



Mas se fecharmos os olhos poderíamos imaginá-lo andando por estas ruas de Cruzeiro, pois foi nessa época que ele aqui morou





Segundo pude apurar, e infelizmente muito pouco apurei, Dr. Isaac Cerquinho, era um pernambucano, natural da cidade de Limoeiro, onde nasceu em 29 de outubro de 1880. 

Foi um batalhador incansável da democracia. Fez parte da comitiva de Rui Barbosa, que no inicio do século XX,  andou por este  Brasil afora, pregando a sua Campanha Civilista.

Apareceu aqui em Cruzeiro no ano de 1925, quando veio integrado na Companhia de Teatro João  Rios, para uma temporada de apresentações desta companhia, no cine-teatro Odeon. 

Esta temporada foi de mais ou menos uma semana. Antes de cada espetáculo, Cerquinho entrava no palco e fazia um discurso. E excelente orador como era, dá para se perceber que este discurso, mesmo eu não sabendo sobre o quê ele discursava, envolvia toda a platéia. Razão esta, que fazia o seu discurso, parte fundamental do espetáculo.

Estranhamente, no final desta pequena temporada em Cruzeiro, Cerquinho resolveu não mais seguir com a companhia teatral. Alugou uma casa, ali na rua 3, e colocando uma placa de Advogado, o que realmente ele era, passou a ser o morador mais novo da cidade de Cruzeiro.

Era muito obeso, pesava cerca de 120 kgs. Mas era de uma cultura tão grande quanto a sua gordura. 

Em 1927, prefaciou o livro “Alma Errante”, de Nicolino Ferrari. Mas quando abrimos esse tal livro, o que se vê é uma verdadeira aula de poesia  e  literatura, narradas em mais ou menos umas vinte páginas, que até ele mesmo chegou a questionar, se aquilo que havia escrito, pudesse ser chamado de Prefácio.

 Eu fiquei pasmo, quando li este texto. E através dele, pude mensurar quão grande devia ser a sua capacidade intelectual.

Foi advogado, poeta, compositor e eloquente orador. Durante o tempo que viveu aqui em Cruzeiro, era freqüentemente requisitado para discursar em qualquer festa.
Casou-se aqui com uma professora, de nome Tereza Soares. Não tiveram filhos. Faleceu em 17 de janeiro de 1937 e foi sepultado em uma campa, ás margens do Rio Paraíba, no cemitério local. Contava nesta data, 56 anos de idade...


Reconhecendo seus feitos, a cidade de Cruzeiro deu seu nome, à uma de suas ruas.








domingo, 3 de julho de 2016

Nicolino Ferrari

Em grandes vultos de Cruzeiro-sp...








    NICOLINO FERRARI


 
                                   

                             Quatro de fevereiro de 1910. Neste dia, já tão longínquo, certamente deve ter passado por esta cidade alguma nave estelar, que de certa forma, não me perguntem como porque não sei, ela deve ter trocado o bebê de Da. Joana Maria Ferrari e seu amado esposo, o Sr. José Ferrari. Porque só desta forma podemos achar palavras para definir  o gênio literário, que foi o professor Nicolino Ferrari. Somente alguém vindo diretamente das estrelas, podia e pode tirar do coração, um sem numero de  lindas metáforas.  

                               Exagero meu?... não. Em seu primeiro livro “Alma Errante” datado de 1937, encontramos os mais lindos poemas parnasianos, que arrancou os mais sinceros elogios e criticas, de um outro fenômeno de inteligência rara – Dr. Isaac Cerquinho.

                          Este senhor reeditou em 1937, a mesma admiração do profeta Simeão no templo de Jerusalém, quando pegou o Menino Jesus nos braços e disse: “Agora podeis me levar Senhor, porque meus olhos contemplaram o Seu Salvador”. Dr Isaac, também vivia exclamando: “Quando será que um jovem nascido em Cruzeiro, começará a compor poemas e sonetos para  mostrar ao mundo que aqui também tem talentos?”

                          E sua alegria foi tão grande quando soube que um jovem de 27 anos, da cidade de Cruzeiro, ia publicar um livro de poesias. E ele não se conteve dentro de si, e foi pessoalmente procurar Nicolino, em sua residência.

                    O livro que ora estava pronto para o prelo, possuía sonetos feitos há três ou quatro anos, quando este neo-professor de 27 anos, fora ainda mais novo.

                     Arrebatado pela obra ainda embrionária, Dr. Isaac é convidado pelo jovem poeta, a prefacia-la, e o Doutor, orgulhosamente aceita. E o que se vê então nas primeiras páginas deste  livro, é um misto de critica aguçada, prefácio e uma análise de soneto a soneto, de verso a verso - Uma verdadeira aula de literatura.

                       O valor da obra inaugural do jovem Nicolino, em minha modesta opinião, ganhou proporções magistrais, justamente por ter sido julgada por este homem, de cultura irrepreensível. E é ele que sintetiza e muito bem, o astro cruzeirense que surgia.

                           “... Quão diferente, por exemplo, a situação de Nicolino, da de Stefam Zweig, o poeta e escritor hoje de fama universal nascido em Viena – berço de gênios --- e filho de pais riquíssimos, amparadores --- o meio e seus pais --- da formação mental do futuro escritor, cuja fama havia de se estender por todas as nações cultas do mundo!

                           Nicolino não teve também a felicidade de Álvares de Azevedo e Castro Alves --- filhos de pais de altas posições sociais e que, vivendo em meios grandes, desde o começo deram a seus filhos uma completa educação mental à altura de seus próximos triunfos.

                     Nicolino Ferrari é pois, uma flor modesta, nascida de modestíssima árvore cultivada neste canteiro de pequeno espaço, que é Cruzeiro, meio de população heterogênea e flutuante, num movimento apenas comercial nesta praça de futura expansão intercambial conservadora, sendo que agora é que começa a despertar à vida literária e artística. 

                        Fez-se poeta aqui mesmo em Cruzeiro, o que quer dizer que “Alma Errante” é um livro tão rigorosamente cruzeirense como a tradição e os festejos da Santa Cruz, que é a religiosidade mais antiga, mais cruzeirense, das religiosidades desta terra.

                         Aos seis anos de idade Nicolino começou a mostrar seus traços de poeta nato, ao pedir para que sua irmã Carmélia, então normalista, lesse toda noite para ele dormir “O Pequenino Morto” de Vicente de Carvalho.

                        Mas a luta pela sobrevivência falou mais alto que a poesia, na vida de Nicolino. Usufruindo então do diploma de Professor Primário, recebido na Escola Normal de Guaratinguetá em 22 de dezembro de 1933, começou a lecionar no Grupo Escolar Dr. Arnolfo Azevedo, desta mesma cidade, até 1938.

                       Concursado no estado, foi obrigado a mudar-se para a cidade de Santos-SP, onde seu registro ficou sediado durante os anos de 1938 a 1960. Sem vaga fixa nesta Delegacia de Ensino, é designado para fazer substituições, em várias cidades.

                  Começou então aí, uma vida meio nômade. Em 1938 mesmo, foi lecionar na Escola Masculina de Pinheiros - São Paulo-SP. De 1939 a 1940, na Escola do Bairro Batalha, em Pirajuí-SP.  Desse mesmo ano até 1941, lecionou na Escola Masculina de Álvaro Carvalho, em Bauru-Sp. Em 1943, casou-se com uma senhora, já viúva, da cidade praiana, de nome Helena de Azevedo Moura. Mas desde o ano de 1941 até o ano de 1948, já estava lecionando no Grupo Escolar Dr. Antônio de Moraes Barros, da cidade de Itápolis-SP. Para esta cidade retornou meses depois, para ficar de 1949 até o ano de 1955, quando então voltou para Santos, e onde finalmente se aposentou no ano de 1962.

                       Durante o período que ficou morando em Santos, editou o livro “A Flor do Vale”, onde retratou de forma espetacular seu amor à cidade de Cruzeiro.

                        Em 1975, a má sorte lhe visitou e retirou de seu convívio, a esposa – um Câncer na região do tórax, foi a causa registrada em seu óbito.

                       Mas a poesia jamais o deixou.

                       Em 10 de janeiro de 1978, casou-se novamente. Hebe Lisle D’Ávila é a senhorita que corresponde ao novo chamado de seu coração. E com ela, ele viveu até Janeiro de 2004, naquela mansão que fica situada na Rua Ipiranga, no bairro Washington Beleza, na cidade que o viu nascer e morrer: Cruzeiro.

                     Infelizmente Deus, em sua sapiência, não destinou-lhe filhos. Por conseqüência, seus genes não foram transmitidos via corrente sanguínea. Mas certamente, sua herança poética estará sempre presente na alma desta cidade, que um dia, ele mesmo a chamou de “A Flor do Vale”.


João de Assis


terça-feira, 21 de junho de 2016

Albertina Santos de Paula

Em Grandes Vultos de Cruzeiro...


Albertina Santos de Paula





Em meio ao inverno rigoroso do ano de 1912, mais precisamente no dia nove de agosto, nascia na cidade de Passa Quatro-MG a garota Albertina,  que vinha ao mundo como a Quinta filha do casal Olímpio e Áurea.
Filha de pai ferroviário, vê sua infância ficar cada dia mais pobre, porque em sua casa nasce mais um irmão, a cada ano vivido. Na pobreza em que viveu, certamente faltou muitas coisas para Albertina e seus irmãos, principalmente sapatos, roupas e brinquedos, mas uma coisa eu tenho certeza que não lhe faltou, foi o terno carinho de seus devotados pais.
Valente e trabalhador, “Seu” Olímpio trabalhava quase que sem folga, como maquinista do trem pagador. E quando questionado por colegas, como fazia para alimentar doze filhos, ele dizia: trabalhando muito... meu amigo, e confiando em Deus.
E foi trabalhando na reluzente locomotiva a vapor de No. 41, que era o orgulho de seu pai, que a família muda para Soledade de Minas em 1921. Nesta época Albertina estava com 9 anos de idade, e pelas dificuldades financeiras de seu pai, já estava atrasada dois anos na escola, pois foi com esta idade que começou a fazer o primeiro ano escolar.
Mas as dificuldades ainda estavam longe de serem sanadas, muito pelo contrário, num belo dia de sol, a máquina 41 apitou na saída do galpão e Albertina chegou à janela de sua pobre casa, para sem saber, dar o seu adeus a seu pai pela ultima vez na vida. Isto  é ela mesmo nos contaria mais tarde com singular beleza, em seus doces e eternos poemas. Um triste sinistro, rouba-lhe a vida de seu pai.
Se com ele vivo estavam já vivendo de maneira quase indigente, sem ele então é obrigada a sair definitivamente da escola, para trabalhar e ajudar no orçamento doméstico. E então, com dez anos de idade apenas, começa a trabalhar numa agência distribuidora de filmes, que o Capitão Antenor Gonçalves tinha levado para Soledade. Agência esta que mais tarde foi vendida para o Sr. Inocêncio Prince de Souza, mas Albertina continuou em seu emprego porque era muito competente. Tão pequena e já tão responsável...
Seu trabalho é tão brilhante,  que ela fica neste emprego até novembro de 1937, quando então é convidada por Antônio Biteti para gerenciar sua Agência de Filmes, na cidade de Cruzeiro. Resoluta e valente como seu pai sempre o fora, Albertina com 25 anos de idade, aceita o desafio e se transfere para Cruzeiro. Para se ter uma ideia de quão grande fora sua valentia, basta apenas que nos lembremos de que para o sexo feminino,  tudo lhe era proibido nesta época.
E já em Cruzeiro conhece o farmacêutico Antônio Augusto de Paula, que como ela também era mineiro, só que da cidade de Jesuânia. E é com este moço, que vem a contrair núpcias em março de 1941.
Albertina então deixa o emprego na Agência de Filmes e se dedica ao lar, mas mesmo assim, ainda trabalha em casa como costureira. È a forma que encontra para ajudar seu marido, que ganhava muito pouco, como empregado da farmácia Xavier.
E depois de certo tempo, e de muita economia e sacrifícios, conseguem realizar o desejo de terem o  seu próprio negócio: fundam a Farmácia Dom Bôsco, e dentro desta farmácia trabalham de dia e de noite, atendendo às famílias de Cruzeiro.
Torna-se mãe pela primeira vez, e Deus vendo que isso era bom, concede-lhe este prazer por mais uma vez. E estes filhos recebem os nomes de Maria Luíza e Antônio Joaquim.
 Desse trabalho incansável, consegue construir um conjunto com oito mini-casas, na rua Ana Santos, Vila Ana Rosa. Onde homenageia sua mãe, dando-lhe o nome de Vila Áurea, e as doam para a sociedade São Vicente de Paula, onde são assentadas oito famílias pobres.
Por este tempo Deus respira fundo, e neste respirar, tira-lhe o marido. Diverticulite, esta foi a desculpa que o Senhor deu para enviuva-la. Mas a incansável formiguinha continua sua marcha.




                                    De Soledade de Minas, não consegue e nem quer esquecer. E foram vários anos realizando o natal de 300 crianças carentes, com roupas e brinquedos e para algumas pessoas especiais, também cestas básicas. Este ato trouxe-lhe o reconhecimento dos soledadenses. E recebe então dois cartões de prata, um do ex-prefeito  José Vieira Rocha e outro da Família Soledadense.
E para suavizar a perda do marido, Deus toca-lhe fundo no coração poético que trazia escondido e abafado, e verdadeiras flores literárias  nascem deste peito sofrido. É um milagre que se realiza. É a prova indelével da manifestação de que o Altíssimo estava sempre  nela, pois apesar da terra ser fértil como sempre fora, não havia ali a presença do regato das letras. E longe , mas muito longe mesmo estava aquele inicio de segundo ano escolar, que tivera de abandonar. Mas mesmo assim insiste e realiza, com a firmeza e dedicação que sempre colocou em tudo que tentou realizar na vida, e escreve.
“VIVER SONHANDO”, “MEU SENHOR”, “ASAS DOURADAS”, “LEMBRANÇA DAS MINHAS LEMBRANÇAS”, “ALMA E CORAÇÃO” e “LONGA CAMINHADA”, são as suas respostas à dadiva do Pai. E tenho certeza absoluta que Ele, o Pai, ficou satisfeitíssimo com ela.
E a cidade de Cruzeiro ajoelha-se finalmente diante desta mulher miúda, mas que sem duvida alguma, tem a fibra de um gigante, e ajoelhando rende-lhe a homenagem que já estava lhe devendo há muito tempo: outorgando-lhe o título de Cidadã Cruzeirense.
E seus feitos não param ai, não. Da Itália vem o reconhecimento do Papa João Paulo II, pelo poema Quem é ele?, dedicado à SS. Da associação Paulista de Imprensa, chega-lhe uma medalha de Honra ao Mérito. Do diretor da antiga ENGESA, um louvor pelo poema Procissão... e etc.
E agora, vivendo um verdadeiro sonho, prepara-se para sugar o néctar maior de sua vida, ou seja, o de se tornar CIDADÃ SOLEDADENSE.
E perguntada por mim, se naquele coração havia alguma frustração, responde-me com a simplicidade própria dos seres de mente altiva.
--- Não, nenhuma... Deus me deu tudo.
Depois desta frase tão simples, sou eu agora quem dobro os joelhos diante desta senhora, pois, se sem  conhecê-la direito, já a queria tanto, imaginem então agora, depois que escrevi estas linhas.
E fazendo um coro uníssono, juntamente com seus filhos, seus netos, o povo de Cruzeiro e o povo de Soledade de Minas,    podemos carinhosamente te dizer:
NÓS TE AMAMOS... MAMÃE.







segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Grandes vultos de Cruzeiro-SP


Foram muitas as colunas imortais imortais que iniciaram a pequena "Povoado da Estação".
Não vou dizer que desses imortais, nossa população sabe muito, mas também é certo que se sabe alguma coisa. E não poderia ser diferente, tanto que seus nomes estão cultuados em nossas praças avenidas e ruas. Afinal desses pioneiros, não dista tanto tempo assim do nosso presente, pois desde 1871, quando começamos conceber os primórdios do "Povoado da Estação", apenas cento e poucos anos nos separam. E isso em têrmos de memória, não é lá uma enorme distância.

À Major Novaes, Dona Rosalina, Capitão Neco, Virgilio Antunes, Otávio Ramos e todos os outros grandes vultos de igual importância, nosso mais digno agradecimento por tudo aquilo que fizeram em prol dessa comunidade, que hoje já é um marco de glória dentro deste estado gigante de economia sem igual, que é São Paulo. À esses pioneiros, o nosso eterno reconhecimento de que suas doações foram imprescíndiveis para chegarmos até nossos ditosos tempos de hoje.

Mas, ao exteriorizar nossos mais puros sentimentos de gratidão à essas pessoas, reponsáveis diretas, pelas primicias do "Povoado da Estação", sinto nascer dentro do meu peito um pensamento altaneiro, de que também se sentiriam gratos aos pilares novos que seguindo suas trilhas, continuaram o sonho que não morreu com eles.

E é justamente sobre este sonho continuado, que quero agora iniciar este modesto trabalho. Eu quero, e se o bom Deus me der forças, regatar a memória desses homens contemporâneos, que muitas vezes anônimos e totalmente desinteressados, muito fizeram para continuar a transição do "Povoado da Estação" até a CRUZEIRO progressista de hoje, "carregando pedras" ou simplesmente, servindo como modêlo de vida.

E foram muitos, estes magnifícos homens e mulheres, dotados de maravilhosos sentimentos, que passaram por essas terras prodigiosas. E desses ou dessas, muitos talvez não foram filhos legítimos da mãe Cruzeiro, mas uma ve adotados por ela, se tornaram dignos da mais alta comenda, que uma cidade pode conceder aos seus benfeitores.

E com base nesse sentimento de gratidão, que desejo destacar nessa galeria de GRANDES VULTOS, as pessoas que de uma forma ou de outra, ajudaram e continuam ajudando a perpetuar CRUZEIRO.